RELATOS DE VOOS

RELATO DA PILOTO VALÉRIA CASELATO - PRIMEIRO RECORDE FEMININO BRASILEIRO


Ao retornar para o Voo a Vela em 2010, um dos sonhos que sempre acalentei era um dia poder realizar os recordes femininos no Voo a Vela. Até o momento nenhuma mulher no Brasil havia conseguido tal feito, e eu queria ser a primeira! 

No meu churrasco do 2º solo de planador (sim…tive dois solos e duas licenças de piloto de planador), pois o primeiro aconteceu quando eu tinha 15 anos, no Aeroclube de Bauru/SP, meu clube de origem. Posteriormente perdi o documento da licença impedindo a sua renovação e então fui obrigada a fazer o curso novamente no Aeroclube de Voo a Vela CTA, após 25 anos sem voar, e durante a comemoração do segundo solo, declarei a todos que um dia iria conseguir as insígnias e registrar os recordes femininos.

No ano passado (2018) eu havia tentado realizar a Insígnia C de Diamante 300 km FAI pré-fixados  mas na última perna ocorreu o pouso fora, em condições muito desfavoráveis.

Este ano, durante o 61º Campeonato de Voo a Vela do Centro-Oeste, em Luís Eduardo Magalhães/BA, houve a oportunidade de realizar a insígnia C de Diamante no dia 11/09/2019, na mesma rota que fiz o ano passado, e desta vez tive sucesso.

Com a realização do 300 km FAI pré-fixado, ainda faltava realizar o sonho de bater  recordes. Havia dito que não sairia de LEM, enquanto eu não conseguisse meu recorde. Desta vez estava mais preparada, já dominava melhor o planador, e após 6 dias de provas, eu havia aumentado minha velocidade média para 85 km/h, o que me habilitava a realizar recordes com velocidades maiores.

Um detalhe importante foi que durante este ano, voei muito no CONDOR (voo virtual) na região de LEM, tanto no Campeonato Invernal Argentino, quanto no 2º Campeonato Panamericano de Voo a Vela Virtual da FBVV, conseguindo  completar as provas, e aperfeiçoando as navegações e planeios finais. Houve uma grande melhoria na minha performance no voo virtual, e isso influenciou muito o meu desenvolvimento no voo real.

                                                                                       

                                                    Prova proposta para Classe Clube no dia 14/09/2019

Havia falado ao Sergio Bassi, meu namorido, que somente iria embora de LEM após fazer meu recorde. Ele e o equipe Jonas, estavam ansiosos para irem embora, e no último dia de prova, foi marcada uma prova de área com dimensão suficiente para comportar um triangulo FAI de 300 km. Sergio montou uma prova paralela, aproveitando a prova do campeonato para que eu pudesse realizar o recorde e ao mesmo tempo participar competitivamente da prova.

 

E a rota  que eu deveria fazer, usaria pontos pré-fixados, que permitissem um percurso acima de 300 km. Na ausência de pontos de virada oficiais disponíveis foram criados pontos virtuais, chamados VAL300-0 e VAL300-5. As minhas chances de conseguir uma boa posição no campeonato eram reduzidas, já que além de ser a piloto menos experiente da classe, estava voando o planador com maior desempenho pagando handicap para todos os demais. Resumindo, teria que voar distâncias maiores que os outros para obter velocidades médias mais altas para compensar o handicap. Não é fácil. Então decidi que voaria para tentar o recorde ao invés de lutar pela 3ª colocação.

 

                                                                                             

Prova proposta para o Recorde (em roxo)

 

 

A decolagens iriam se iniciar as 11 h, com a Classe Open em primeiro lugar, depois a Classe Racing, e por último a Classe Clube, onde eu voava de Libelle 201B (PT-PAV, CN AV) sem lastro, com Handicap de 98, o mais alto da classe. Fui a penúltima a decolar.

 

Para que um recorde seja validado, é necessário seguir algumas instruções da FAI, como por exemplo transpassar os “beer cans” nos pontos de virada, cilindros com 500 m de raio à  partir do centro dos pontos. A diferença de altura entre a largada  e a chegada não pode exceder 1000 m.

 

Decolei, o céu estava azulado, vento de 25 km/h, descendentes fortes, e tive muita dificuldade para subir. Cheguei aos 1000 m, mas ao me deslocar para outra térmica, perdi muita altura, e desci para 600 m. Foi quando eu escutei na fonia o motoplanador Sinus, dos pilotos Daniel e Leonardo Lenz, informando que iriam pousar e realizar uma nova decolagem. Confesso que pensei em fazer o mesmo, pois estava cansada de batalhar para subir, mas de repente eu vi o Jantar EP, pilotado pelo Nilor Mendes, e resolvi ir junto com ele, rodar aquela térmica. Assim, devagar, fui subindo e alcancei uns 1300m. A orientação que havia recebido era que largasse com 1200m, e depois subisse o máximo que conseguisse, e desse uma nova largada, mais alta, para a prova do campeonato. Deveria cumprir os pontos já determinados (VAL300-0 e VAL300-5). Consegui alcançar por volta de 2400 m, e dei a segunda largada e fui direto ao primeiro ponto, com uma velocidade media de 150 km/h. O céu continuava azul, sem nuvens, mas no caminho encontrava térmicas que aproveitava para subir em linha reta. 

 

Coloquei como piso a altura de 1500 m para iniciar a rodar térmicas, e sempre olhava para o solo, observando os dust devils (redemoinhos) no caminho. Não estava querendo girar térmicas nos dust devils temendo a turbulência, mas sabia que nas suas proximidades poderiam haver outras térmicas. Não visualizava quase nenhuma ave que são boas marcadoras de térmicas, porém enxergava o sinal promissor que no norte havia formação de nuvens.

 

Continuei o caminho na direção do meu ponto VAL300-0, com a ajuda do OUDIE (computador de voo) e um GPS  Etrex Vista, conseguia seguir bem a rota. As vezes desviava de fogueiras, e o ar estava turbulento. Algumas vezes a turbulência jogou tudo que estava solto na cabine para cima. Neste momentos, segurava firme o manche e os pedais e aumentava a velocidade, para passar rapidamente por essas regiões. Houve um momento que a turbulência foi tamanha que jogou a água que eu bebia do camel back no plexi, deixando tudo molhado. Quando a turbulência acalmava, eu aproveitava para comer algo. 

 

Normalmente quando voo levo, bananinha sem açúcar (2 a 3 unidades), barras de grãos (2),  Red Bull (normalmente 1 lata, mas nesse dia foram 2, já que a chance de pouso fora poderia ser maior). Também levei 3 pães de queijo pequenos, 2 litros de água no camel back, e um pacotinho de biscoitos integrais (caso pousasse fora). A água bebo sempre, em goles. Nos momentos que estou rodando térmicas, evito de comer, e me concentro mais em subir. Quando estou no planeio, então como algo, ou bebo. O Red Bull sempre bebo no meio do voo, para dar um “UP” na minha atenção. Não poderia faltar no meu relato o momento Nutricionista, minha profissão rs.

 

No meio da rota para o Primeiro Ponto, fui chamada no rádio pela equipe e depois pelo piloto Elton do rebocador FLS. Ambos solicitavam que eu checasse meu spot (sinalizador via satélite), pois não estava ocorrendo a transmissão que pode ser acompanhada no solo pela internet. Meu Spot parecia estar funcionando normalmente, mas algo no compartilhamento não estava correto, apesar de eu ter testado isso antes da decolagem. Como continuava o problema na transmissão, orientei o Elton, que fazia ponte com o Jonas, minha equipe no solo, para que pegasse meu computador, com a senha de acesso que agora é do conhecimento nacional, e refizesse o compartilhamento. Pena que não funcionou. Sergio também me chamou no rádio, me dizendo que a meteorologia estava favorável e seria possível eu realizar o recorde.

 

Finalmente cheguei ao primeiro ponto com 1500 m, e deveria alcançá-lo dentro do raio de 500 m. O medo de não tocar o ponto na distância certa, me fez passar por ele umas 3 vezes. Com isso perdi altura, e busquei uma térmica para subir. Consegui uma térmica forte e fui a 2300 m. Este ponto ficava próximo da divisa com Tocantins, na direção do Jalapão, e reconheci uma de suas montanhas e pude ver a beleza dos vales e planícies e a montanha ao fundo em formato de trapézio. Segui em direção ao Segundo Ponto (VAL300-5), favorecida pelo vento de cauda. 

 

                                                                                                  

Essa foi a visão do Jalapão que tive em voo

 

O meu plano era me manter o mais alto possível, diminuir a velocidade nas térmicas, e quando chegasse por volta de 1500 m, eu rodaria alguma térmica forte, com inclinação de 45º para subir mais rápido. A velocidade média ficava sempre entre 120 km/h a 150 km/h, e quando passava pelas térmicas, diminuía para 90-100 km/h.

 

Chegando no Segundo Ponto, acabei ficando abaixo de 1000 m , mais precisamente 980 m, o que era muito abaixo da minha meta de piso. Procurei uma térmica, e só encontrei uma fraca (1,5 m/s), mas me mantive para ganhar um pouco de altura, e poder buscar outra térmica mais forte com tranquilidade. Do Primeiro Ponto para o Segundo Ponto, as nuvens estavam mais presentes, o que ajudava a balizar as térmicas, e a seguir o corredor de nuvens e me manter mais alta.

 

Assim que consegui subir um pouco, avistei dois urubus rodando uma térmica, fui ao seu encontro, e encontrei uma térmica forte! Subi até 1600m, e o meu OUDIE avisou que eu já estava em planeio final. Verificava meu tempo, e vi que a duração da prova que seria de 3 h, já estava terminando. Me concentrei em chegar na pista, o ponto inicial (SWNB),  e fui desviando para debaixo das nuvens no caminho melhorando a folga do meu planeio final. 

 

Eu estava ao norte da área e para chegar no meu destino final, eu deveria cruzar a área em sua totalidade. Pouca folga no planeio final poderia ser um entrave na finalização do meu recorde, pois não poderia chegar baixo, devido à exigência da diferença máxima de altura de 1000 m entre largada e chegada.  Coloquei o tempo da prova em segundo plano e me concentrei em subir rapidamente nas térmicas, para ganhar mais altura e chegar com folga no destino. Deu certo, no caminho de volta, no planeio final, fui conseguindo subir nas térmicas, e o vento me ajudava um pouco, embora não fosse exatamente de cauda. A 25 km do destino, fiquei baixa novamente, e precisava  daquela térmica salvadora, que me fez subir, e entrar novamente no planeio final. No caminho ouvia a fonia dos outros pilotos reportando suas chegadas no aeroporto SWNB. Fui indo na direção até que por volta de 15 km fora avistei o aeroporto. Fui na velocidade de melhor planeio, e cheguei no ponto com 960 m. Consegui!! Consegui!!!! Ao terminar a prova, meu OUDIE indicava uma velocidade média de 91 km/h na prova!!!! 

 

                                                                                               


Chegada no Aeroporto de Luís Eduardo Magalhães/- SWNB




                                                                                       

Recorde realizado, registrada na OLC

 

 

Aguardei alguns pilotos pousarem, e fiquei rodando uma descendente para descer mais rápido. Pousei, estava cansada, e com sede, pois nos últimos 15 km, o meu camel back não saia água!

 

No final a minha velocidade média para o recorde ficou em 88, 51 km/h, e essa diferença aconteceu pela diferença de tempo e altura entre a largada para o recorde que aconteceu antes e mais baixa que a largada para a prova.






Resultados ao final do voo de recorde

 

 

Finalmente neste dia, com o por do sol maravilhoso de LEM como testemunha, desmontamos a Libele para voltarmos para casa: feliz, com uma insígnia C de diamante de 300 km FAI pré-fixados, e com outro voo de 300  km no qual realizei meu sonho do recorde.

 

Não poderia deixar de agradecer o meu amor Sergio Bassi, que sempre me apoiou, e me conduziu para a melhoria de minha performance, assim como me ensinou tudo sobre navegações, técnica de pilotagem, instrumentos, etc. Agradeço também ao Fabiano Almeida e ao Jonas Gianini (minha equipe de terra)pelo incansável apoio, ao Gregori Pogorzelski que gentilmente me emprestou o NANO, ao Henrique Navarro por relacionar meus recordes no voo, e a todos os participantes do 61.Campeonato de Voo a Vela do Centro-Oeste, que torceram/vibrarampela minha conquista. A todos MUITO OBRIGADA!

 


                                                                                                        

 

E a meta para 2020????

 

NOVOS RECORDES

INSÍGNIA DE C DE OURO E 

500KM FAI

 

E ainda falta o Campeonato Mundial Feminino de Voo a Vela, meta de 2022! 

                                           Espanha... eu chego lá!

 

Valéria Caselato

Setembro de 2019.



RELATO DO PILOTO IAGO MANZI NOVAIS - PILOTO MAIS JOVEM DO BRASIL


   Meu começo no voo a vela foi quando o Marcelo Vianna me chamou para fazer o meu primeiro voo de planador, nessa época eu tinha uns 10 anos. Aquele voo foi tão marcante que me lembro de cada detalhe. A partir daquele dia eu tive a certeza de que queria ser piloto, mas eu ainda era muito novo para começar a voar, então continuei voando com aeromodelos e nos simuladores de voo no computador. 

     Depois de um certo número de voos no Puchaz, comecei a estudar para a prova da ANAC e do aeroclube, consegui bons resultados em simulados, então decidi fazer a prova de PPL. Consegui passar na prova, a partir daquele momento era só esperar ser liberado para o primeiro voo solo. Uma semana depois de ter passado na prova fui até ao aeroclube e acabei sendo liberado pelos instrutores a fazer o primeiro voo solo. Nesse dia o tempo estava nublado com algumas chuvas isoladas, porém a atmosfera estava calma e com pouco vento. Quanto ao voo foi perfeito, voei cerca de 50 minutos sozinho, a sensação de olhar para trás e não ver ninguém é indescritível. Tive a sorte que no dia o Claudio Reis, que também é piloto e um ótimo fotógrafo, estava na área. Ele entrou no avião rebocador e fez várias fotos sensacionais que evidenciam o meu sorriso e alegria daquele momento. Com certeza esse vai ser o voo mais marcante da minha vida...




        Hoje, sou piloto e estou praticando para começar a fazer voos de navegação. Pretendo seguir carreira na aviação e tenho certeza que o voo a vela está sendo uma ótima base para isso tudo. Meus agradecimentos a minha família que sempre me incentivou, especialmente aos meus pais que são os meus “paitrocinadores” rsrsrs, a todos que me deram carona para o Aeroclube e que ainda me darão até eu completar 18 anos e tirar a minha habilitação de motorista, ao Aeroclube do Planalto Central e a FBVV que batalhou por isso durante anos! ; )




RELATO DO PILOTO SERGIO ANDRADE SOBRE O RECORDE DE 1000 KM NO CEARÁ


Voos de longa distância sempre me fascinaram, pelo desafio de lidar com diferentes condições meteorológicas seja por regiões atravessadas, como também temos que lidar com diferentes fases do dia.

Apesar de contarmos com excelentes pilotos para cross country, os dias são curtos, principalmente no Nordeste, onde as térmicas são mais fortes e a estação mais longa...

Um dia, examinando o mapa de relevo do Ceará, me chamou atenção uma serra que terminava em escarpa por quase 250 km, orientada N-S e perpendicular aos ventos aliseos. Se o voo em colina funcionasse, o dia de voo poderia aumentar em quase duas horas.
Comentei com Itamar sobre a idéia e com seu entusiasmo começou a indagar sobre a condição na serra, mas com exceção de parapentes e asa delta, não havia muita informação.



Karl Voetsch, que tem veia de explorador, havia feito várias campanhas ao Sul do Ceará e Piauí, mas não havia experimentado a colina.
Mesmo assim, com sua experiência, organização e capacidade de análise, nos ajudou muito com seus conhecimentos sobre a região.

Pedimos então ao Rene Queiroz para colocar a região no Condor e assim que ficou pronto o cenário, comecei a voar com os ventos médios das estações de medida de vento levantadas por Itamar: dava pra voar colina até Quiterianópolis, 200 km ao S de São Benedito.
Decidimos basear em São Benedito por ter uma pista de 1800x30m asfaltada e um amigo de Itamar tem lá um hangar com um Cirrus onde podíamos colocar o SA em diagonal, apesar de sobrar uns 3 m de asa pra fora...
Como estávamos focados na colina, Itamar sugeriu o mês de novembro, por ser o mais ventoso.
Resolvi antecipar um pouco, combinando com Silvio e Leo de levarem o SA na carreta de LEM até lá e eu chegaria 26/10 e Itamar poderia voar 2 e 3/11.

Silvio e eu começamos a explorar a região e logo no segundo dia fizemos 720 km para o lado do Ceará.
No dia 29 resolvemos experimentar o Piaui para W e fizemos 1006km, já com o que seria record de distância livre em FAI de 878 km.

Karl, coach e cheer leader, acompanhava os voos pela OLC. 
-Sergio, você tem que decolar mais cedo!!

No dia 2/11 Itamar chegou. Largamos as 9:00 e depois de bloquear Picos, fomos pro lado do Piaui. Não deu os 1000, mas outro record, FAI distância livre 916 km.



Finalmente, no dia seguinte decolamos 7:30 largamos 7:57, seguimos a serra até Fazenda Planalto e bloqueamos nosso waypoint S, Fronteiras 338 km com média de 93 km/h, rodando 19% com média de 1,1 m/s

A perna até Coelho Neto, 415 km para NW foi a mais veloz e divertida, embora não tão boa como no dia anterior, com muitas estradas e vento de cauda. 14% do tempo subindo a 1,8 m/s e 132 km/h.

Bloqueamos o ponto as 14:43, 17 minutos antes do planejado e pensamos: 2:50h pra fazer 250 km vai ser mole.

Que surpresa! Os cumulus começaram estratificar, térmicas espaçando e perdendo força e o vento começava a aumentar e virar de proa, a medida que o terreno subia. Atmosfera parada, já não tínhamos altura para pousar em S. Benedito, quanto mais para terminar a prova com a chegada 8 km mais longe. 

Silêncio total no planador, lembrava um daqueles filmes de submarino tentando se esconder de destroyer.

30 km, tão perto e tão longe, pensava, mas vou seguir em frente até 200 m AGL e ligo o motor, paciência, quando no azul encontramos uma termiquinha tão fraca que nos jogou 2 km pra trás, mas foi o suficiente pra ganhar altura, cruzar a crista da serra a 180 m e terminar a prova!
Depois foi ligar o motor, esperar esquentar, ganhar altura voltar pra pista e pousar.
Ufa, finalmente o FAI 1000, 10:21 totais de vôo, haja traseiro! Dava pra fazer Rio-Paris de comercial, com direito a jantar, café da manhã, levantar, ir ao banheiro, puxar conversa com alguém...



Formiga me sugeriu fazer uma comparação dos paralelos de um vôo record com area empresarial, vamos lá:

1. Objetivo ou Missão:  tudo o mais é decorrência do que se quer atingir
2. Conhecimento Técnico do que pode influir para alcançar o objetivo: no caso, informações sobre meteorologia, experiência de quem conhece a região, como Karl, regime de ventos, pistas, etc.
3. Team Work:  não se faz uma empreitada destas sozinho. Desde Sr. Wilson, o dono do hotel que passou a adiantar o café da manhã em meia hora, Gleison, piloto do TBM, Pedro dono do hangar, Silvio, Leo, Itamar e eu, todos com um sentido de missão a cumprir.
4.determinação- por definição, objetivos difíceis não se alcançam facilmente. Jim Collins, consultor de empresas, criou para estes o acrônimo BHAG, Big, Hairy, Audacious Goals...

Como observou Karl, de todos os dias que voamos lá, o do FAI 1000 foi o mais fraco de todos, com relação a média de subida e base. Ele mesmo compilou os dados e fez esta tabela:

Em 10 dias lá, 9 voados, um para descanso
Km: 5898
Hrs: 58

Acho que esta região tem toda condição de ser uma alternativa a Namibia, por exemplo; o Ceará tem belíssimas cadeias de montanhas que forma lindas estradas, a parte norte da Serra da Ibiapaba é de uma beleza impar, é mais perto da Europa e América do Norte e tem outros atrativos além do voo, como praia, parque natural, boa comida, povo acolhedor, além de outros...

Sergio Andrade
Piloto do ASH30



RELATO DO VOO DE 300 KM DO PILOTO CAIO SIMIONI

Ao longo do voo eu ficava refazendo a minha média para ver se conseguiria ficar no planeio final às 16h30, mas não, sempre dava que nesse horário eu estaria girando no último ponto que seria a cidade de São Joaquim da Barra.

Fui batalhando e consegui me adiantar em 20 min, mas não era o suficiente, já que o dia, os cúmulos (nuvens que indicam as térmicas) na minha perna final já não existiam, nesse ponto já estava considerando mais um pouso fora pois estava a 60km de Bebedouro.

Como estava alto consegui avistar uma queimada no meio do caminho, exatamente em minha rota!!! Meu medo, eu estava a 20 min de voo dela, e se os bombeiros conseguissem controlar o fogo antes da minha chegada (já ocorreu antes! risos) mas deu certo, cheguei a menos de 500 metros de altura e o fogo me lançou a 1700 metros, um ganho de 1200 metros em menos de 5 min ou seja 4m/s em média!!!. Logo o computador me informou que eu estava bem acima do necessário para o planeio final!!! Fiquei muito feliz ao chegar e pousar na mesma pista que eu decolei!! hehehe

Agora só consigo pensar em fazer novamente e praticar para que novas conquistas pessoais aconteçam!

Meus agradecimentos ao Aeroclube de Bebedouro, FBVV, Navarro, Marcos Vicente, Danúbia, Latorre e à equipe AA.”


Caio Simioni

Piloto do PW5

                                                  

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